Quando o copilot edita o seu contrato, quem assina a mudança? Você!
O Copilot do Word atribui ao usuário todas as alterações feitas por IA em contratos, criando um problema de rastreabilidade e responsabilidade que pode comprometer auditorias e disputas futuras. Plataformas especializadas em contratos registram separadamente as sugestões da IA, mantêm histórico completo e permitem comprovar quem decidiu o quê requisito essencial para governança e conformidade.

Muitas empresas estão usando o Copilot dentro do Word para mexer em contratos. É natural: a ferramenta está ali, o texto também, e o resultado parece bom. Fizemos o teste com um contrato de leasing real para ver o que acontece por baixo do documento. O que encontramos merece atenção de qualquer jurídico.
O teste
Pedimos ao Copilot que ajustasse cláusulas específicas de prazo e de multa. Ele fez edições parciais com controle de alterações o que é positivo. Mas duas coisas chamaram atenção no documento.
Primeira: todas as alterações ficaram atribuídas ao usuário, não à IA. Para quem abrir o documento depois, aquelas mudanças foram feitas por você, com o seu nome, na sua data.
Segunda: junto com as edições de conteúdo, apareceram alterações de formatação que ninguém pediu como mudança de cor de fonte misturadas às revisões relevantes.
Por que a atribuição importa
Contrato é documento de responsabilidade. Quando uma cláusula muda, alguém responde por ela. Se a IA sugere e a alteração sai em nome do advogado, não existe registro de que uma máquina participou. Em uma disputa futura, em uma auditoria interna ou em uma pergunta do cliente, a resposta "foi o Copilot" não tem como ser comprovada.
A LGPD e as políticas de governança de IA que as empresas estão adotando pedem exatamente o contrário: rastreabilidade. Saber o que foi decidido por pessoa e o que foi sugerido por sistema.
Por que o ruído de formatação importa
Parece detalhe, mas não é. Quando revisões de formatação se misturam às de conteúdo, o revisor gasta tempo separando o que importa e o risco de aceitar em bloco uma alteração relevante sem ler aumenta. Em um contrato de cinquenta páginas, isso é um problema real.
O que uma plataforma feita para contratos faz diferente
a) As alterações sugeridas pela IA ficam atribuídas à IA, separadas das alterações humanas.
b) A revisão é só de conteúdo: nada de mudança de fonte ou cor que ninguém pediu.
c) Cada sugestão vem com justificativa e com referência ao padrão da empresa.
d) O histórico de versões mostra quem aprovou o quê, e quando.
Não se trata de escolher entre usar ou não usar IA. Trata-se de usar uma IA que sabe que está mexendo em um contrato, com as regras que um contrato exige.

Conteúdo por
Clovis Barreto Junior
Advogado especialista em inovação
barretojunior.com
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