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Quando o copilot edita o seu contrato, quem assina a mudança? Você!

17 de setembro de 2026 · 2 min de leitura · Clovis Barreto Junior

Quando o copilot edita o seu contrato, quem assina a mudança? Você!

Muitas empresas estão usando o Copilot dentro do Word para mexer em contratos. É natural: a ferramenta está ali, o texto também, e o resultado parece bom. Fizemos o teste com um contrato de leasing real para ver o que acontece por baixo do documento. O que encontramos merece atenção de qualquer jurídico.

O teste

Pedimos ao Copilot que ajustasse cláusulas específicas de prazo e de multa. Ele fez edições parciais com controle de alterações o que é positivo. Mas duas coisas chamaram atenção no documento.

Primeira: todas as alterações ficaram atribuídas ao usuário, não à IA. Para quem abrir o documento depois, aquelas mudanças foram feitas por você, com o seu nome, na sua data.

Segunda: junto com as edições de conteúdo, apareceram alterações de formatação que ninguém pediu como mudança de cor de fonte misturadas às revisões relevantes.

Por que a atribuição importa

Contrato é documento de responsabilidade. Quando uma cláusula muda, alguém responde por ela. Se a IA sugere e a alteração sai em nome do advogado, não existe registro de que uma máquina participou. Em uma disputa futura, em uma auditoria interna ou em uma pergunta do cliente, a resposta "foi o Copilot" não tem como ser comprovada.

A LGPD e as políticas de governança de IA que as empresas estão adotando pedem exatamente o contrário: rastreabilidade. Saber o que foi decidido por pessoa e o que foi sugerido por sistema.

Por que o ruído de formatação importa

Parece detalhe, mas não é. Quando revisões de formatação se misturam às de conteúdo, o revisor gasta tempo separando o que importa e o risco de aceitar em bloco uma alteração relevante sem ler aumenta. Em um contrato de cinquenta páginas, isso é um problema real.

O que uma plataforma feita para contratos faz diferente

a) As alterações sugeridas pela IA ficam atribuídas à IA, separadas das alterações humanas.

b) A revisão é só de conteúdo: nada de mudança de fonte ou cor que ninguém pediu.

c) Cada sugestão vem com justificativa e com referência ao padrão da empresa.

d) O histórico de versões mostra quem aprovou o quê, e quando.

Não se trata de escolher entre usar ou não usar IA. Trata-se de usar uma IA que sabe que está mexendo em um contrato, com as regras que um contrato exige.

Clovis Barreto Junior

Clovis Barreto Junior

Advogado especialista em inovação

barretojunior.com

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